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Silva: “Fico muito feliz de ter tido esse interesse do público português”

Silva: “Fico muito feliz de ter tido esse interesse do público português”

Silva aqueceu o recinto do Altice Fórum Braga, no último dia de Enterro da Gata, para Blaya. Estivemos à conversa com o artista que nos falou sobre o seu disco mais recente, “Brasileiro”, e dos projetos que tem em mãos.

Sempre que vem atuar a Portugal, as salas esgotam muito rapidamente, acha que isso é significado de que o público português está, realmente, a aderir à sua música?

Silva (S): Eu fico super lisonjeado com isso, mas dessa última vez, principalmente, que fizemos 10 concertos aqui e foi muita coisa. Eu nunca tinha tocado no Brasil assim. Em Lisboa foram só três dias e duas sessões por noite e é cansativo, puxado, porque são quase três horas a tocar, basicamente, porque é uma hora e meia de concerto, uma pausa e mais uma hora e meia de concerto. Mas eu fico muito feliz de ter tido esse interesse do público português no meu trabalho. Eu já venho namorando o público português há um tempo, desde a primeira vez que toquei aqui, em 2013, no Mexefest, em Lisboa, e o tempo está igual: um pouco frio, mas depois aquece. Mas isso deixa-me muito feliz, espero voltar aqui sempre, todos os anos, em cada tour. É um lugar onde quero sempre tocar.

No seu último disco, com o nome “Brasileiro”, lançado em 2018, qual foi a canção que mais gostou de compor e porquê?

S: É difícil, porque vou cometer uma injustiça com as outras músicas, mas que eu escrevi, diria “Gozo da tarde”, porque é uma música que me marcou muito. É uma música leve, com uma mensagem bem positiva e foi feita num momento em que, no Brasil, não estávamos nos melhores momentos político e económico e eu já sabia que o disco não ia ser bonito, porque foi feito num momento de pré-eleição no Brasil e já sabíamos que as coisas estavam difíceis e que não teríamos um representante de esquerda nem de direita interessante, o que é algo muito louco e agora deu no que deu. Já estou a falar de outras coisas, mas essa foi a música que mais me marcou.

Em relação a esse álbum, qual é a mensagem que quis transmitir com ele e qual é a diferença em relação aos restantes que já lançou?

S: O nome desse álbum, “Brasileiro”, parece uma coisa nacionalista, mas é que eu já toquei em muitos lugares e uma coisa que me marcou muito foi quando fui participar na Red Bull Music Academy, em Tóquio. Eu era o único brasileiro que foi para essa academia de música e as pessoas, quando falava com elas, já conheciam muito a música brasileira tropicalista - Caetano, Bethânia - e depois ficava um espaço que eles não conheciam e depois só conheciam o funk carioca, que era o que eles achavam mais interessante e inovador. Eu comecei desde lá, em 2014, já faz cinco anos, a ficar um pouco mais ligado a como nós, brasileiros, temos um pouco dessa síndrome do vira-lata, de achar que tudo o que é de fora é melhor, e comecei a perceber que para baixo da minha geração, as pessoas mais novas, não tinham o menor conhecimento da cultura brasileira. Não sabiam quem era João Gilberto e as pessoas que eu considero importantes para a nossa cultura e para a cultura do mundo todo, para falar a verdade. Então, acho que nesse disco eu quis levantar a bola nisso de ser brasileiro e ao mesmo tempo criticando-me e criticando o próprio país de onde eu venho, porque do Brasil nunca falei, nem nunca vou falar que o Brasil é o lugar das mil maravilhas, porque não é e nós sabemos que tem problemas sociais tenebrosos. Mas, a nossa cultura, eu acho que é muito bonita e muito rica. Nós temos uma mistura de Portugal com África e com a própria cultura nativa, que já estava ali dos indígenas. Então, eu quis louvar um pouco essa nossa música, que eu acho que não pode ser perdida e eu que espero que não seja, porque estamos a viver uma era globalizada, em que todo o mundo está a ficar parecido: uma banda do Chile pode muito bem ser uma banda de Londres ou de Nova Iorque, que nós nem notaríamos diferença. Então, acho importante manter os conhecimentos do lugar de onde vimos: se és português, deves conhecer a cultura portuguesa, conhecer os escritores, os músicos, os artistas portugueses, isso é fundamental.

E para quando novos projetos?

S: Eu nunca trabalhei tanto na vida: temos tour agora no Brasil, estou a fazer três shows ao mesmo tempo, o meu projeto “Silva Canta Marisa” voltou para a estrada, porque as pessoas pediram muito, e inventei uma moda: fiz um “Bloco do Silva”, no Brasil, que é um show de Carnaval. Eu, no Brasil, nunca trabalhava no Carnaval, era a época do ano em que eu parava, porque não é uma época muito adequada para a música que eu faço, mas comecei esse ano e deu certo. Fomos para a Bahia, tocar com a Daniela Mercury, com as pessoas que são artistas de Carnaval mesmo, e as pessoas adoraram. Então, agora, eu estou a continuar isso. Na próxima semana, abrimos a tour da Ivete Sangalo, fazendo esse “Bloco do Silva”. Então, estou com vários projetos e o disco novo ainda não sei quando vou ter tempo de fazer, mas eu quero, se desse, eu faria já.

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