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Samuel Úria: "Eu acho mesmo que o Minho é fantástico"

Samuel Úria: "Eu acho mesmo que o Minho é fantástico"

Na terceira noite de Enterro da cantou-se os parabéns à Rádio Universitária do Minho pelos seus 30 anos. A noite RUM iniciou-se com os Rusted Sun, banda vencedora do concurso UM Plugged que abriu o palco para B Fachada. O terceiro a pisar o palco foi Samuel Úria, com quem estivemos á conversa. O artista falou sobre as expectativa para o concerto de ontem e do carinho que tem pelo público minhoto.

O que espera deste concerto nas Monumentais Festas do Enterro da Gata?

Samuel Úria(S): Estou sem expectativas, porque já toquei muitas vezes em Braga e é a primeira vez que estou a tocar para um público que eu calculo que seja maioritariamente jovens estudantes e, ainda por cima, foi anunciado à última da hora, ou seja, muitas pessoas podem nem estar à espera que eu vá subir ao palco e isso é muito bom. De repente, não venho com nada calculado, não existem expectativas firmadas, não vou estar a produzir um concerto para um público que eu já espero que reaja de uma determinada maneira e isso vai favorecer para que as coisas sejam instantâneas e aconteçam no laboratório, que é o palco.

Como é voltar a tocar em Braga?

S: Eu adoro Braga! Eu acho mesmo que o Minho é fantástico. Se bem que dizer o Minho é um bocado generalizar...e, ainda por cima, no Minho há cidades rivais (risos), mas eu gosto de Braga no seu todo e é, de facto, uma cidade especial. Posso dizer que tem-me acolhido muito bem. Tenho, mais ou menos 10 anos de carreira e Braga tem sido um ponto recorrente, tem-me reconhecido muito bem. É sempre uma felicidade voltar cá.

A sua escrita passa muito pela recriação do imaginário e do vocabulário popular. Consideras que escrever canções é reinventar a língua portuguesa?

S: Eu não digo que seja reinventar, pelo menos aquilo que eu faço é aproveitar algumas formas da língua portuguesa. Algumas estão esquecidas, na verdade, e o simples facto de eu as trazer para dentro das minhas músicas quase que parece uma reinvenção, mas o que eu estou a fazer é ou uma reciclagem ou uma recuperação. Eu acho que a língua portuguesa é muito rica e há muitas formas e muitas soluções que estão ali à mão por semear e eu sou um aproveitador. De facto a nossa língua é uma língua difícil de se escrever... é algo que nos compromete, porque cada coisa que se diz ganha uma gravidade diferente. Por outro lado é uma linguagem tão rica e que apresenta tantas soluções que eu sou uma espécie de parasita. Há muito pouco mérito quando eu ponho uma frase que seja marcante e seja sonante, porque não fui que a inventei, estou só a ir buscar coisas que já ouvi e tenho a lata e a ousadia de recuperá-las.

Tem algum exemplo de músico que achas que possa ter tido uma grande influência na tua música?

S: Muitos músicos. Aliás, eu acho que quase todos que eu oiço frequentemente, novos, velhos, coisas que estão a aparecer agora, coisas que não estão... mesmo que eu não queira fazer igual ou queira fazer parecido, o simples facto de estar a ouvir as músicas sinto, de repente, a vontadezinha de ir fazer canções. Então, eu acho que não há assim ninguém que eu goste de ouvir que eu descure enquanto influência. Senão influenciam a minha maneira de fazer canções pelo menos influenciam a minha vontade de escrever.

Para quando podemos esperar novos projetos?

S: Gostava muito de poder responder a essa pergunta (risos). Eu vou tentar que, para o ano, talvez início, que era o ideal, saiam coisas novas, para lançar logo no início.  

Sente que o facto de escrever músicas para outros artistas acabar por influenciar a tua carreira a solo? 

S: Eu gostava muito de imaginar que influenciava mesmo a carreira dos artistas para quem eu escrevo. Normalmente, quando te pedem canções estão à espera que haja ali qualquer coisa, qualquer cunho pessoal que espelhe o artista. O que eu faço, normalmente, é escrever canções para tonalidades ou para vozes que não a minha, mas de resto também não quero despejar tudo o que são as minhas características. É uma atividade paralela, mas que não difere muito do meu processo de criativo habitual. 

Em 2009 escreveu um disco inteiro durante um dia e online. Acha que 10 anos depois conseguia fazer o mesmo ?

S: Conseguir não faço ideia, agora querer não quereria (risos).

Porquê?

S: Para já porque, na altura, eu estava para lançar um disco e, de repente, entrou uma editora que queria fazer um disco meu e, então, atrasou o tal disco que eu queria fazer. Como eu ia ter o compasso de espera para fazer esse tal disco, o LP, então eu decidi que ia fazer  o disco num só dia e que ia exorcizar a minha vontade emergente de fazer canções. Hoje em dia, a vontade emergente de fazer música já não é tanta, talvez porque vivo exclusivamente disto.

Também escreve artigos para o Sapo24. Sente que de alguma forma isso pode influenciar o seu público?

S: Eu espero bem que não, porque, às vezes, escrevo coisas muito impopulares (risos). Eu gosto muito de receber reações negativas, porque sinto que mexi com as pessoas e que se sentem visadas quando eu não estou a escrever para visar alguém em particular. Com a música não tenho esse desplante de querer escrever, às vezes, para chocar ou para granjear contraditórios um bocado inflamados. A minha música é um pouco uma expressão de mim próprio, enquanto que o que escrevo nos artigos é uma reflexão sobre as coisas que se vão passando.

 

 

 

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