Luís Severo traz emoção ao palco do Gatódromo

O quarto dia das Monumentais Festas do Enterro da Gata iniciou-se com o concerto emotivo de Luís Severo e da sua banda, composta por Catarina, Bernardo e Diogo.

1. É a vossa estreia nas Monumentais Festas do Enterro da Gata. As expetativas foram correspondidas?

Luís: Sim, acho que até foram acima do que estávamos à espera. Correu mesmo bem! Estávamos com medo de certas músicas mais calmas não funcionarem tão bem, mas fomos mesmo enganados, porque correu bastante bem. Foi mesmo emocionante ver tantas pessoas que estavam a sentir o que nós estávamos a fazer. Claro que nesta sala gigante fica sempre tudo pequenito e tínhamos muitas pessoas para o que costumávamos ter. Gostamos bastante.

Catarina: O facto de serem muitas, mas poucas pessoas também parece que tira um bocado de pressão à cena. Acho que se estivesse cheio tinha sido intimidante e se tivesse mais vazio tinha sido ainda mais intimidante. Era a energia certa. O público foi incrível!

2. A pandemia com certeza foi uma época com falta de concertos e de interação com o público. A vossa vinda às Monumentais Festas de Enterro da Gata pode ser considerada um “regresso” do Luís Severo?

Luís: Acho que sim, sendo que é um regresso para desaparecer novamente, porque estou a acabar um disco novo e vou retirar-me uns meses a fechá-lo. Claro que se tiver datas, uma pessoa tem contas e se houver convites nós damos essas datas, e datas em banda faço sempre até porque nós ensaiamos este set antes da pandemia. Este set começou a ser ensaiado em 2019, já no fim do ano. Portanto nem tivemos assim tantas possibilidades.

Bernardo: Sobre a música estar a voltar às nossas vidas, acho que se por um lado, todos os músicos que pararam de dar concertos e tiveram de pensar na vida durante a pandemia e que estavam aborrecidos, foi um momento altamente criativo. Acho que agora estamos a colher os frutos desses dois anos fechados e nesse sentido, tal como o Luís estava a falar, tem uma série de canções novas das quais está a trabalhar para o novo disco. Acho que estão a aparecer uma série de discos incríveis e que nesse sentido está a haver um renascimento em força pós-pandémico.

3. És licenciado em Sociologia. Numa época menos produtiva, já consideraste intercalar a carreira musical com um trabalho na área da Sociologia e investigação?

Luís: Não, acho que seria pior do que sou hoje. Eu nunca exerci, nem nunca tive próximo e, apesar de ter feito esse curso, não me considero sociólogo. Acabei o curso um bocado mal e não é uma área que eu pense dar uma continuidade e não me sinto capaz de isso. Não me sinto bom nisso. Acho que da música, mal ou bem, vou ter sempre mais êxito. Mas sim, claro que penso que se um dia a música não der, o que é que eu faço?

4. Sabemos que és uma pessoa que gosta de estar no campo, em sítios calmos, tais como por exemplo, São Miguel. Como é que consegues conciliar esse aspeto caseiro com a vida musical e tudo o que ela implica, tais como meses a viajar e a dar concertos?

Luís: Antes de mais, esses meses a viajar, na soma de todos os fins-de-semana, se calhar são meses. Mas nós temos uma realidade que quando temos duas datas que se colam dizemos que temos uma turnê. Continuo a ter muito tempo para estar no campo. Estes dois últimos anos ainda mais tempo tive e tenho a sorte de estar ultimamente muito tempo na casa dos avós da nossa teclista, a Catarina, que é ali perto de Alcobaça, Nazaré. É uma zona de campo e tenho estado lá a compor e a tocar. É um espaço onde gostamos de estar e é sossegado. Estamos a ficar velhos e fartos de cidade.

Catarina: Eu vivo na cidade, mas quero voltar ao campo. Quando vamos de retiro, é muito bom! Fico-me a sentir bem outra vez. Dá para renovar energias.

5. Gostariam de deixar uma mensagem aos académicos?

Catarina: Força! Não desistam dos vossos sonhos. Salvem os gatos e os animais.