Tradição

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A Gata

Muitos já guardam memórias e histórias de edições passadas. Outros chegam pela primeira vez, amiúde em idade tenra, às Monumentais Festas do Enterro da Gata. Daqui em diante, terás certamente muitas histórias para contar a filhos e netos no futuro.

Para todos nós, o Enterro da Gata é já um dado adquirido. As festas académicas não se completam sem esta tradição. Contudo, não sabemos de onde surgiu esta festa e não sabemos a sua história. Importa sabê-la. E continuar a fazê-la. Este ano. Daqui em diante.

Em 1531, começou a notar-se a presença de estudantes em Braga. Por esta altura, o arcebispo humanista D. Diogo de Sousa cria o Colégio de S. Paulo. E são os estudantes deste colégio que criam a tradição do Enterro da Gata. Os estudantes faziam um cortejo com uma gata dentro de um caixão, enfeitado com flores. A gata simbolizava a reprovação no final do ano escolar. Era atirada à água no decorrer de uma cerimónia pública, com uma atmosfera de folia e liberdade. Desta forma, era afastada a encarnação do Mal que o espectro da reprovação representava.

As festividades coincidiam com o encerramento das aulas do liceu. Foi por volta desta altura que nasceu também aquilo que se designa pelos "Testamentos da Gata", texto em jeito de sátira sobre o que então se passava. E que, até aos dias de hoje, se vai mantendo.

Em 1969, movimentos académicos como a manifestação contra a conjuntura do país pararam muitas das tradições académicas - a Universidade do Minho (UMinho) não foi exceção. Seguiu aquilo que a Academia de Coimbra fazia; Quando retomadas as festividades, a UMinho não tinha identidade: voltou a seguir os conimbricenses.

Luís Novais, presidente da AAUM entre 1988 e 1991, sentiu que a Universidade precisava de se destacar. Aluno de História, Luís teve acesso a um manuscrito que relatava a forma como os estudantes bracarenses se vestiam em tempos idos: com tricórnio e batina. Luís ressuscitou tanto o traje académico como o Enterro da Gata, festividade outrora com outros moldes: uma garraiada em Viana do Castelo e outras coisas mais.

Hoje, o Enterro da Gata começa com a já habitual Serenata, seguindo-se-lhe as sete noites de folia na Alameda do Estádio Municipal de Braga. É lá que todos os caminhos vão dar. Dos concertos ao cortejo académico pela cidade de Braga, os finalistas dizem adeus à cidade académica que os acolheu. Já os caloiros despedem-se de um dos melhores anos da sua vida.

Terças Académicas

Terças-feiras
académicas

Não é de agora a tradição das terças-feiras académicas. Não tem cabelos brancos, mas carrega consigo o tricórnio e a capa negra dos estudantes que fazem deste velho hábito uma antecipação ao Enterro da Gata.

Em entusiasmo e contagem decrescente, os estudantes e os grupos culturais preenchem a terça-feira que antecede o Enterro da Gata. Uma terça-feira académica cheia da essência global fornecida pelos estudantes da Universidade do Minho.

Nesse dia, nessa noite, o Bar Académico acolhe os estudantes que envergam o traje, o maior símbolo académico. Seguindo em cortejo noturno, com a capa negra ao vento e num ambiente de festa, os estudantes visitam a casa da academia.

O cortejo parte do Campus de Gualtar, onde antes as tunas se reúnem para um saudoso e bravo manjar, ao qual se segue a ida rumo à sede da AAUM, com o Bar Académico ali ao lado, na Rua D. Pedro V.

A festa continua noite dentro. É como que um estágio para as verdadeiras provas das Monumentais festas do Enterro da Gata.

Velório da Gata

Não é unha com carne, mas quase. O velório da Gata é o verdadeiro ponto de partida para o início das festividades académicas do Enterro da Gata. Marca, indubitavelmente, o início de uma nova etapa para os estudantes. O início do início para uns. O início do fim para outros, que se segue em breve - da forma que todos esperamos - no mercado de trabalho.

Ecoam cânticos, iluminam-se as ruas, preenchem-se os caminhos com os muitos estudantes. Todos num só sentido e para um só sentido: o “funeral da Gata”, na estação de caminho-de-ferro de Braga.

A efeméride simboliza tudo o que de mal correu aos estudantes, ao longo do ano. Escolhas precipitadas, más decisões, arrependimentos, insucesso escolar. Aqui, tudo fica para trás, porque, e citando o hino da Universidade do Minho, há “dias breves em devir”.

O ambiente é frenético. De exaltação. Uma atmosfera de ânsia, de sombra, um tanto obscura e satírica. A Gata é transportada pela Ordem Profética da Universidade do Minho (OPUM DEI) e pelos Gorkas e recebida por uma multidão, na estação de comboios bracarense.

Percorrendo as ruas da cidade até ao Largo do Paço “os falsos clérigos” lembram, honrosamente, a falecida “Gata”. Por entre as lamúrias, membros da Ordem Profética lêem o testamento da felina, no qual constam referências a múltiplos acontecimentos outrora vividos ao longo do ano.

Com a chegada ao Largo do Paço e após uma curta exibição, os membros da Ordem Profética recolhem a Gata para dentro da reitoria – os primeiros acordes que marcam o início de um novo ciclo e de sete dias de festa em nome dos estudantes.

Velório da Gata
Serenatas

Serenata

É tempo de silêncio. De contemplação. O sublime do momento majestoso. A tradição.

Após a viagem do caixão que carrega a Gata - desde a estação de comboios ao Largo do Paço – eis que se dá início ao instante solene que marca o início das Monumentais Festas do Enterro da Gata. Junto à Reitoria, a Serenata Académica, ao som do Grupo de Fados e Serenatas da Universidade do Minho, confunde-se com as centenas – ou mesmo milhares – de tricórnios pretos que abalam ao sabor do vento. E da noite que, faustosa e imponente, cai sobre as ruas da Cidade dos Arcebispos.

Para muitos, o culminar do início. Para outros tantos, o começo do fim de um ciclo académico marcado por sorrisos, lágrimas, esforço, suor, ansiedade, estudo, festa e horas de dedicação na Universidade do Minho. Os nobres cânticos ecoam pelo Largo do Paço fora, com a harmonia e emoção do traje académico da mui nobre academia minhota.

A noite da Serenata Académica é muito mais que mil palavras. Um olhar. Um gesto. Uma ação. Tudo se traduz num ciclo rico e inesquecível para os milhares de estudantes minhotos.

É maio, é Enterro da Gata. É o arranque das grandes festividades da Associação Académica da Universidade do Minho.

Imposição de Insígnias
& Missa de Finalistas

É um momento alto. De tudo, de todos para todos. Da união de amigos, familiares e colegas de curso. Um dia marcado pelo saudosismo de quem se vê a passar por mais uma etapa no seu ciclo de aprendizagem académica. Há sorrisos, lágrimas, lembranças. Um misto de emoções em que poucas palavras traduzem estados de alma sincero.

São as tradicionais palmas, o erguer das insígnias. Os abraços fortes e rasgados como se não houvesse amanhã. Para milhares de estudantes universitários, a Bênção de Finalistas é um dos dias em que o sorriso se confunde com as lágrimas a cair sobre o rosto. Afinal, termina ali um ciclo de vida. Um adeus à universidade para muitos. Nostálgico. Acompanhado de recordações. De sonhos, peripécias e sucessos.

É no Parque da Ponte, em Braga, que os finalistas da Universidade do Minho recebem a sua bênção, na missa de finalista. Familiares e amigos enchem um espaço em que as emoções estão mais expostas que nunca. Mensagens de incentivo, esperança e coragem, demonstração de orgulho pelo curso que estão a concluir e os abraços e felicitações dos mais próximos culminam numa mescla de introspeção com entusiasmo. Mais do que pensar num "olá" ao mundo do trabalho, nos encargos e responsabilidades, estar presente neste local significa que uma longa caminhada já foi descoberta e vivida. De forma intensa e, ao mesmo tempo, fugaz.

Tudo se resume ao orgulho de quem vê os seus filhos, netos ou sobrinhos a amadurecer, a crescer pessoal e intelectualmente. Mais perto da vida profissional, da sua independência. De um novo cultivar. E 2017 não é exceção. O Parque da Ponte abre as portas a todos os finalistas, que estão perto de iniciar outra fase do percurso das suas vidas.

A Imposição de Insígnias e a Bênção de Finalistas são momentos académicos em família. Daí em diante, junto dos amigos, uma semana de excessos, euforia e felicidade.

Imposição de Insignias
Cortejo Académico

Cortejo Académico

A semana é de energia e boa disposição. A meio do Enterro da Gata, o cortejo académico é, para muitos, o momento mais esperado. Em 2017, "A Gata de Quarentena" luta e anseia por um Ensino Superior livre de políticas contagiosas. Apesar das dificuldades que o país continuamente atravessa, os alunos da Universidade do Minho vão mostrar, com camiões decorados, cartazes reivindicativos, música e alguma cerveja, que o estado de quarentena os afeta e abala, tanto no presente como no futuro que se avizinha, a cada passo, mais próximo. Mas que o cortejo retrata também o desejo de todos: de que este estado de quarentena permanente, e contínua, termine.

Na habitual quarta-feira de cortejo, os estudantes do Minho vão animar a cidade nos carros alegóricos, espelhando o ânimo e a força que de si é natural. Quer na vitória, quer na derrota de cada dia de um estudante. Cerca de oito mil costumam desfilar pelas ruas e os caloiros, mais novos, vestem-se a rigor para retratar o tema do cortejo. Os doutores ou engenheiros, mais velhos e com a bebida na mão, dançam e celebram o culminar dos anos da vida académica.

Os bracarenses que passam pelas ruas não são alheios. Dançam com os estudantes. Tiram fotografias. E assistem a tudo, com o orgulho de terem nascido numa cidade de universitários. No final, a festa acaba no chafariz. Os caloiros festejam o primeiro ano na vida académica. Os finalistas despedem -se com nostalgia daqueles que foram, certamente, os melhores anos de sempre. E esperando que a quarentena seja breve, dentro e fora da academia.

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